A Inteligência Artificial tem revolucionado a rotina das empresas ao proporcionar ganhos expressivos de produtividade, velocidade e redução de custos operacionais.
No entanto, quando o assunto é liderança e tomada de decisão, a ferramenta por si só não resolve os problemas fundamentais do negócio, pois, como bem pontua Diego Senise, Sócio e CEO da ILUMEO, “se você não fez o dever de casa de parar a bola, pensar, articular estratégia tática, indicador, teoria, metodologia, princípios de tomada de decisão, não adianta pôr uma Ferrari de IA porque ela vai te cuspir qualquer coisa”.
Isso significa que, antes de implementar qualquer solução avançada, é indispensável que a liderança estabeleça bases estratégicas sólidas, uma vez que uma estrutura frágil resultará apenas em respostas genéricas ou imprecisas.
Nesse cenário, a responsabilidade final e o accountability continuam sendo inteiramente humanos, já que a máquina não substitui o tomador de decisões. O líder precisa ser capaz de articular claramente o passo a passo racional que o conduziu a determinada escolha, sendo inaceitável justificar um direcionamento afirmando simplesmente que a IA decidiu.
Enquanto o uso da tecnologia no nível operacional traz eficiência e agilidade, a construção dos princípios de como a organização deve utilizá-la deve ocorrer de de cima para baixo (top-down). Para tanto, é fundamental contar com líderes bem versados no tema que saibam filtrar promessas exageradas do mercado, evitando colocar a empresa em riscos desnecessários sem sequer perceber.
Diego Senise é Sócio e CEO da ILUMEO e Professor de Inteligência Artificial na Universidade de São Paulo (USP).


