Entender o comportamento do consumidor é um dos maiores desafios para marcas e empresas. Ao longo dos anos, a metodologia para mapear e compreender o público-alvo passou por transformações profundas, desde as tradicionais pesquisas qualitativas, até a revolução atual impulsionada pela inteligência artificial.
O Passado: O Limite das Entrevistas Qualitativas
No passado, a prática comum consistia em realizar entrevistas qualitativas para desenhar as personas de um negócio. No entanto, o grande gargalo dessa abordagem sempre foi o tamanho da amostra e o salto estatístico que muitas empresas tentavam dar:
“Você desenha persona em um número muito reduzido e depois você quer extrapolar essas personas para a população brasileira, isso aí já é um absurdo, certo?”, diz Otávio Freire, Sócio e Chief Science Officer da ILUMEO.
O que se descobre em uma pesquisa qualitativa são traços, crenças, valores e comportamentos em relação a uma categoria. Quando esses dados são extrapolados sem o devido rigor, eles podem configurar personas completamente distorcidas devido a vieses analíticos.
A Chegada do Machine Learning e os Desafios dos Dados Transacionais
Com o avanço do machine learning, o mercado migrou diretamente para uma visão puramente quantitativa. Contudo, muitas vezes esses processos utilizavam modelos estatísticos inadequados aplicados por profissionais com perfis voltados à engenharia de TI e não especialistas em comportamento do consumidor.
Essa prática resultava em análises isoladas, nas quais se rodavam clusters internos focados estritamente em dados transacionais, uma dinâmica comparada a “pescar dentro do aquário”. Sem perguntar ativamente à pessoa quem ela é, o que pensa, quais outras marcas considerou ou qual a relevância da empresa na vida dela, o resultado obtido perdia precisão e profundidade estratégica.
O Momento Atual: O Poder das Personas Sintéticas
Atualmente, vivemos um novo patamar tecnológico. Soluções avançadas conseguem integrar dados e gerar personas sintéticas capazes de auxiliar nas decisões de negócio com base em dados quentes e recentes, refletindo acontecimentos de até uma semana atrás, por exemplo.
Nesse novo cenário, a inteligência artificial se consolidou como uma ferramenta indispensável, trazendo agilidade, profundidade e precisão para entender a jornada do consumidor moderno.
Otávio Freire é Sócio e Chief Science Officer da ILUMEO, além de Professor de Branding e Avaliação de Campanhas de Comunicação na Universidade de São Paulo (USP).


