Mapa do Consumo Sustentável 2026: O Que Separa a Intenção da Compra

Por Diego Senise
27 de maio de 2026

Novo Estudo da ILUMEO, em parceria com a Ecomunica e Weleda, mostra que o ceticismo do consumidor freia o mercado sustentável e gera riscos reputacionais para as marcas.

 

No ano em que se realiza a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP), observa-se uma intensa cobertura midiática mobilizada em torno do tema, refletindo a urgência da agenda ambiental global. Nesse contexto sobre sustentabilidade, quando olhamos os comportamentos dos consumidores, a realidade revela um cenário complexo: existe uma grande diferença entre o que as pessoas dizem valorizar e o que elas realmente transformam em hábito de consumo.

 

Para decifrar esses padrões e apoiar as estratégias de marcas e stakeholders, o estudo inédito “Mapa do Consumo Sustentável 2026: O Que Separa a Intenção da Compra”, realizado pela ILUMEO, em parceria com a Ecomunica e Weleda, ouviu a opinião de 760 pessoas em todo o país e mapeou as dores, os públicos e os caminhos práticos para destravar o comportamento sustentável no consumo.

 

Abaixo, selecionamos os principais achados do estudo e como transformá-los em oportunidades.

 

1. Intenção vs. Ação

À primeira vista, os números impressionam: 65% dos brasileiros atribuem notas altas (de 8 a 10) para a importância da sustentabilidade de uma marca no momento da compra. Além disso, 88% afirmam que gostariam de fazer mais pelo meio ambiente.

 

O ponto de virada surge quando a pesquisa investiga a ação prática:

  • Apenas 17% dos respondentes sabem com clareza se as compras que fazem no dia a dia são, de fato, sustentáveis.
  • Quando questionados sobre as barreiras para agir, a falta de dinheiro (42%), a falta de tempo (42%) e a falta de conhecimento (39%) lideram a lista de impeditivos.

 

O consumidor quer ser mais sustentável, mas o custo financeiro, a conveniência e o déficit de informação clara acabam dificultando essa tomada de decisão.

 

2. Categorias: O Critério da “Proximidade ao Corpo”

A sustentabilidade não pesa da mesma forma em todas as indústrias. O estudo identificou que o apelo sustentável ganha relevância quando o produto possui alta proximidade ao corpo do consumidor.

 

Analisando o percentual de consumidores que consideram o tema decisivo, temos três blocos:

3. Os 3 Perfis do Consumidor Brasileiro

Através de uma análise estatística de clusterização, a população brasileira foi dividida em três perfis muito bem definidos em ralação ao assunto sustentabilidade:

4. A Grande Barreira: Desconfiança Generalizada

Se as marcas querem engajar os Engajados e conquistar os Pragmáticos, elas precisam superar o maior desafio do mercado atual: o ceticismo.

Apenas 38% dos Engajados e 14% dos Pragmáticos confiam que as empresas realmente cumprem o que prometem em suas campanhas institucionais. Essa desconfiança se alimenta de uma fragilidade do próprio consumidor: o brasileiro não tem o hábito de checar as informações.

Somente 13% sempre conferem o que as marcas dizem e só 11% sabem diferenciar uma promessa verdadeira de um greenwashing (prática enganosa em que empresas ou governos promovem uma imagem falsa, exagerada ou sem provas de responsabilidade ambiental).

 

5. O Selo como Destravador de Negócios

Diante do medo de ser enganado e da falta de tempo para pesquisar, o consumidor busca atalhos. É aqui que as certificações terceiras ganham relevância: 57% dos brasileiros usam os selos como a principal fonte de validação e preferem marcas certificadas sempre que possível. Porém, o mercado ainda é pulverizado e 14% da população sequer conhece alguma marca de selo regulador.

6. Direções Práticas para as Marcas

Em resumo, o estudo trouxe alguns direcionamentos estratégicos para as marcas:

 

6.1. Baixo Potencial (Menor Engajamento)

Este cenário representa as categorias, públicos e mensagens onde o discurso de sustentabilidade (ESG) encontra maior resistência ou desinteresse:

  • Categorias “Distantes do corpo”: Setores cujos produtos ou serviços não têm contato físico direto com o consumidor.
  • Público “Indiferentes” – 26%: Consumidores para os quais a pauta ESG simplesmente não é um critério de decisão de compra.
  • Mensagem “Pagar mais ou parar de comprar”: Abordagens baseadas em preços premium abusivos têm baixíssima adesão. Além disso, discursos ESG genéricos e sem comprovação prática parecem vazios para esse público.

 

6.2. Alto Potencial (Maior Engajamento)

Este cenário destaca as maiores oportunidades em categorias, públicos e mensagens para impulsionar o consumo sustentável:

  • Categorias “Próximas ao corpo”: Produtos de consumo direto, íntimo ou de alta relevância no cotidiano.
  • Públicos “Engajados + Pragmáticos” – 74%: A grande maioria dos consumidores. São pessoas que já valorizam a sustentabilidade ou estão abertas a testar e adotar esses produtos.
  • Mensagem “Trocar de marca + selo confiável”: O comportamento mais viável para esse grupo é a substituição de marcas. O uso de um selo de certificação confiável funciona como um atalho de credibilidade que efetivamente estimula a ação de compra.

Já é certo o ceticismo do consumidor em relação ao discurso das marcas sobre sustentabilidade e discursos genéricos sobre o assunto, só corroboram para isso, além de gerar risco de reputação. O consumidor precisa de informações verificáveis, com lastro e que usem atalhos visuais de credibilidade (como selos na embalagem) para tomar a decisão sem esforço cognitivo.

“O consumidor brasileiro não é apático diante da sustentabilidade: ele está desorientado”, declara Diego Senise, CEO da Ilumeo. Em 2026, o consumo sustentável é construído com base em evidências científicas, transparentes e acessíveis, que facilitem a jornada do consumidor no ponto de venda e que traga a confiança necessária para transformar a intenção em decisão.

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