A adoção da inteligência artificial no ambiente corporativo enfrenta o desafio de superar o imediatismo operacional para se alinhar aos objetivos de longo prazo das companhias. Com atuação em consultorias voltadas para a transformação por IA, a ILUMEO identifica que o avanço bem-sucedido dessa tecnologia em organizações mais complexas depende, fundamentalmente, do engajamento direto da liderança na reestruturação dos processos de tomada de decisão.
No cenário presente, há uma pressão constante sobre os profissionais para demonstrar iniciativas práticas em inteligência artificial. Esse contexto tem levado as empresas a utilizarem a tecnologia sob dois paradigmas principais: a IA como “co-pensadora”, empregada para auxiliar na formulação de estratégias, ou como “co-piloto”, voltada para a automação de tarefas diárias e a produção em escala de conteúdos e campanhas.
Apesar da promessa de ganho de eficiência operacional, a aplicação de ferramentas de IA sem uma visão sistêmica apresenta limitações. Em estruturas organizacionais mais complexas, a transformação digital precisa ser guiada pela alta gestão. Os líderes devem mapear a infraestrutura tecnológica da empresa (seu stack de inteligência), a sua arquitetura de decisão e a maneira como a própria organização desenvolve o seu aprendizado interno, o chamado learning style.
A ausência desse diagnóstico estratégico faz com que as empresas corram o risco de escolher projetos baseados em conveniência ou tendências passageiras. Demandas trazidas por funcionários para eliminar problemas operacionais do cotidiano, que consomem tempo e recursos, tendem a ser priorizadas simplesmente por estarem em evidência ou em alta no debate público.
No entanto, resolver gargalos operacionais imediatos não assegura a escolha das iniciativas mais estratégicas para o futuro do negócio. “Se não tiver esse mapeamento todo, provavelmente a gente vai priorizar casos de uso que são os casos de uso da moda”, pontua Diego Senise, CEO da ILUMEO. Para evitar a alocação inadequada de esforços e investimentos, a inteligência artificial deve ser implementada a partir de uma visão estruturada da liderança, garantindo que as aplicações escolhidas tragam impacto real e sustentável para o negócio.
Diego Senise é Sócio e CEO da ILUMEO e Professor de Inteligência Artificial na Universidade de São Paulo (USP).


