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title: A cultura de testes e experimentação
description: Em um mundo cada vez mais digital e imerso em dados, abrem-se múltiplas possibilidades de incrementos em resultados de negócios. Para isso, um caminho de testes e experimentações pode acelerar os processos de melhorias e otimizar tempo e recursos das organizações, priorizando aquilo que terá mais impacto nos objetivos perseguidos.
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author: ilumeo-admin
published: 2021-07-06T12:12:04Z
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# A cultura de testes e experimentação

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Em um mundo cada vez mais digital e imerso em dados, abrem-se múltiplas possibilidades de incrementos em resultados de negócios. Para isso, um caminho de testes e experimentações pode acelerar os processos de melhorias e otimizar tempo e recursos das organizações, priorizando aquilo que terá mais impacto nos objetivos perseguidos.

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Mais do que ferramentas, conhecimento e tecnologia, é a cultura que permite ou impede que as empresas façam testes e experimentações. Aqui, é importante estabelecer cuidados básicos um ambiente de trabalho onde as lideranças estimulem a curiosidade, não punam falhas, sejam éticas e que os dados superem a opinião pessoal. 

Mas como uma cultura voltada a experimentações pode ajudar? Esse exemplo do Booking, contada em reportagem da HBR, ajuda a entender mais:

Em dezembro de 2017, pouco antes da temporada de férias, o diretor de design da Booking.com propôs uma experiência radical: testar um layout totalmente novo para a página inicial do site.&nbsp;Em vez de oferecer muitas opções de hotéis, aluguéis de temporada e ofertas de viagens, a nova versão apresentaria apenas uma pequena janela perguntando para onde o cliente estava indo, as datas e o número de pessoas, retornando com três opções simples: “acomodações”, “voos” e “aluguel de carros”.

Todo o conteúdo e elementos de design &#8211; imagens, texto, botões e mensagens &#8211; que a Booking.com passou anos otimizando seriam eliminados.

Gillian Tans, CEO da companhia na época, estava cética.&nbsp;Ela temia que a mudança pudesse causar confusão entre os clientes já acostumados.&nbsp;Lukas Vermeer, então chefe da equipe de experimentação, apostou uma garrafa de espumante que o teste iria “encher” &#8211; significava que iria derrubar a métrica de desempenho crítica da empresa: conversão do cliente ou quantos visitantes do site fizeram uma reserva.

Há também um princípio básico na Booking.com, de que qualquer pessoa pode testar qualquer coisa, mesmo sem a permissão da gerência. Inserida nessa cultura, a empresa executa mais de 1.000 testes simultaneamente, ultrapassando os 25.000 testes por ano. Toda essa experimentação ajudou a transformar pequena startup holandesa na maior plataforma de hospedagem online do mundo em menos de duas décadas.

Muitas organizações também são conservadoras quanto se fala em experimentação.&nbsp;Uma pressão por acertos pode fazer com que os funcionários se concentrarem em soluções menos arriscadas, evitando testar ideias que possam falhar.&nbsp;Mas, na verdade, é menos arriscado realizar um grande número de experimentos do que um pequeno número.

No Booking.com, cerca de 10% dos experimentos geram resultados positivos &#8211; o que significa que &#8220;B&#8221;, uma modificação que tenta melhorar algo (vendas, taxas de cliques ou o tempo que os usuários passam no site, por exemplo), tem melhor desempenho entre usuários atribuídos aleatoriamente do que &#8220;A&#8221;, o controle, que é o status quo. Mas quando se realiza um grande volume de experimentos, uma baixa taxa de sucesso ainda se traduz em um número significativo de sucessos, o que acaba diminuindo os custos financeiros e emocionais dos fracassos.&nbsp;Se uma empresa faz poucos experimentos por ano, pode ter poucos sucessos ou mesmo nenhum.&nbsp;Então o erro deve ser encarado como natural. Falhas iniciais permitem eliminar rapidamente as opções desfavoráveis e concentrar os esforços para alternativas mais promissoras.

A Expedia Group, por exemplo, é outra empresa imersa em testes. Em entrevista à HBR, o CEO Mark Okerstrom delcarou que:

“Em um mundo cada vez mais digital, se você não fizer experimentação em grande escala, no longo prazo &#8211; e em muitos setores no curto prazo &#8211; você está morto.&nbsp;A qualquer momento, estamos executando centenas, senão milhares, de experimentos simultâneos, envolvendo milhões de visitantes.&nbsp;Por causa disso, não precisamos adivinhar o que os clientes desejam;&nbsp;temos a capacidade de realizar a maior parte das &#8216;pesquisas de clientes&#8217; existentes, repetidamente, para que eles nos digam o que desejam”.

Porém, empresas com essa mentalidade são exceção. Muitas organizações executam não mais do que algumas dezenas de experimentos durante o ano. E a questão é justamente cultural, são comportamentos, crenças e valores vividos e compartilhados desde a alta liderança até os novos funcionários. E aos olhos de muitas organizações que buscam a eficiência, a previsibilidade e o sucesso nos resultados, essas falhas são um desperdício. 

Então como virar esse jogo? Vamos a outro exemplo. A Duolingo é a plataforma de aprendizagem de idiomas mais popular do mundo e o aplicativo educacional mais baixado, com mais de 500 milhões de usuários em todo o mundo.

O Co-founder e CTO, Severin Hacker, conta no Medium como a empresa construiu uma cultura voltada para testes, executando experimentos em escala. São cerca de 30 novos testes por semana, além de centenas rodando ao mesmo tempo. 

Cada teste é voltado, principalmente, para melhora de seu produto. Então qualquer membro da equipe &#8211; produto, engenharia, marketing &#8211; tem autoridade para propor e executar um experimento, com uma estrutura que envolve:

Hipótese

Resultado esperado

Links para trabalhos relacionados

Seleção de público

Especificações de design e interação

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Os resultados dos experimentos ficam disponíveis em um painel personalizado que mostra como cada teste impacta todas as métricas importantes da empresa em relação a um grupo de controle &#8211; cobrindo conversão, envolvimento e monetização.&nbsp;No contexto do Duolingo, são coisas como o início de uma nova aula, o número total de aulas consumidas, a quantidade total de tempo de aula, conversão de contas gratuitas para pagas, etc.

Quando um experimento é claramente benéfico, os membros da equipe têm autonomia para mover essas mudanças diretamente para a produção. Claro que entra aqui também uma visão de negócio estratégica, de não sacrificar o uso de longo prazo por ganhos de curto prazo. Até por isso os experimentos geralmente duram algumas semanas e não apenas poucos dias.

Há muitos benefícios e também pontos de atenção ao manter uma cultura de testes nesse nível. Alguns pontos forte são:

Repetibilidade:&nbsp;ter um processo repetível (essencialmente, o método científico) para impulsionar a melhoria contínua do produto;

Objetividade:&nbsp;ter um sistema objetivo para tomar decisões sobre mudanças de produtos (evitando alternativas como o “HIPPO” &#8211; a opinião da pessoa mais bem paga);

Autonomia:&nbsp;incentivo à autonomia, que por sua vez aumenta a velocidade do produto;

Com base em métricas:&nbsp;criar um sistema que pode impulsionar melhorias nas métricas de negócios mais importantes, ao mesmo tempo em que minimiza o lançamento de mudanças ruins.

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Algumas desvantagens:

Requer investimento significativo em infraestrutura;

Incrementalismo:&nbsp;encontrar mínimos / máximos locais em vez de globais;

Dívida de tecnologia:&nbsp;pode criar sobrecarga adicional de controle de qualidade;

Métricas difíceis:&nbsp;podem ser menos equipadas para conduzir certas métricas (digamos, viralidade ou aprendizagem);

Volume do usuário:&nbsp;ter um grande volume de usuários e dados é fundamental para experimentos bem-sucedidos.

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Como começar

Se sua empresa está nos estágios iniciais de construção de uma cultura de testes, há algumas orientações úteis sobre como começar:

Certificar-se de estar na escala certa para o teste A/B&nbsp;

Se você tem dezenas de clientes, executar testes A/B não faz sentido, já que simplesmente não há dados suficientes.&nbsp;Embora não haja uma regra rígida, um limite flexível é cerca de aproximadamente 100.000 usuários ou mais.

Ter ferramentas para facilitar a experimentação

Para realizar muitos experimentos, o custo marginal (medido em tempo ou em reais ou dólares) de cada experimento deve ser pequeno &#8211; o custo deve ser “menos de 5% do overhead” &#8211; para funcionários técnicos e não técnicos.&nbsp;Você precisará investir na infraestrutura para facilitar a execução de testes.

Documentar e treinar incansavelmente

Para construir uma cultura em que quase todos os membros da equipe possam lançar um experimento, é preciso de uma documentação muito precisa sobre como executar os experimentos.

Saber o que medir e priorizar o que importa

Ter cuidado com o que for escolhido para medir quando se trata de experimentos e focar apenas no que realmente vai impactar no negócio.&nbsp;E, talvez ainda mais importante, certificar-se de que toda a equipe compartilha um entendimento sobre o que é mais importante.

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Com o tempo, os experimentos resultarão em milhares de mudanças pequenas e não tão pequenas que juntas irão gerar enormes benefícios.&nbsp;Ter as ferramentas certas, embora essencial, é a parte fácil e não é suficiente para tornar a experimentação um sucesso. A lição é que não é tão importante se algum experimento tem sucesso ou falha,&nbsp;o que importa é como as decisões são julgadas sob incerteza em uma organização.&nbsp;Eles não devem ser baseados apenas na fé ou na opinião pessoal de quem tem poder de decisão.&nbsp;Se eles podem ser colocados à prova, eles devem ser, com dados e fatos. Esse é um nuance importantíssimo para avançar na construção de uma cultura data-driven.

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