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title: O processo industrial à base de ciência de dados
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author: ilumeo-admin
published: 2021-06-15T12:25:07Z
modified: 2023-07-28T02:52:32Z
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# O processo industrial à base de ciência de dados

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Veja quais são os principais usos de Data Science nas indústrias e o potencial dos dados para potencializar resultados

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Nos últimos 20 anos, a indústria de manufatura tem adotado gradualmente aplicações de ciência de dados em toda a sua linha, principalmente na produção de itens como móveis, auto peças, materiais elétricos, eletrodomésticos, entre uma infinidade de outros bens duráveis. O tamanho que o mercado global de manufatura inteligente deve atingir em 2025 é de US$ 395,24 bilhões.

É um setor que já passou por quatro grandes revoluções “industriais”, com a última acontecendo neste momento, onde dados de máquinas, ambientes e produtos são coletados e integrados para convergirem em um único objetivo: fazer os produtos certos nas quantidades certas para os momentos certos.&nbsp;

E por que isso é tão importante? O Dr. Nagdev Amruthnath, cientista de dados e Ph.D. em Industrial Engineering pela Western Michigan University, traz a resposta: para reduzir o custo de fabricação e tornar os produtos mais acessíveis para todos.

Em artigo no Medium, Amruthnath defende a vasta utilização de Data Science na indústria de manufatura, que possui diversas possibilidades de aplicações, como manutenção e qualidade preditivas, análise de segurança, análise de garantia, monitoramento de instalações de fábrica, visão computacional, previsão de vendas, entre outros.

O uso em manutenção preditiva é um dos principais, pois a quebra de máquinas na fabricação é muito custosa.&nbsp;O tempo de inatividade não planejado é o maior contribuinte individual para os custos indiretos de fabricação, custando às empresas uma média US$ 260 mil por hora.

Os dados do sensor das máquinas são monitorados continuamente para detectar anomalias (usando modelos como PCA-T2, one-class SVM, autoencoders e regressão logística), modos de falha de diagnóstico (usando modelos de classificação como SVM, random forest, árvores de decisão e redes neurais), prever o tempo até a falha (TTF) (usando uma combinação de técnicas, como análise de sobrevivência, atraso, e de regressão) e previsão de tempo de manutenção ideal (usando técnicas de pesquisas de operações).

Já os sistemas tradicionais de visão computacional medem as peças fabricadas quanto à tolerância de medidas para determinar se são aceitáveis ou não, dentro de uma margem de erro minuciosa, milimétrica.&nbsp;Detectar a qualidade das peças quanto a defeitos como marcas de desgaste, arranhões e amassados são igualmente 

importantes.&nbsp;Tradicionalmente, os humanos são usados para inspecionar esses defeitos.&nbsp;Hoje, tecnologias de inteligência artificial como CNN, RCNN e Fast RCNN provam ser mais precisas e levam menos tempo para inspecionar, reduzindo significativamente o custo da produção.

Já prever as tendências de vendas futuras ajuda a otimizar os recursos para a lucratividade. Na manufatura, conhecer os volumes de produção com antecedência ajuda a alocar da melhor forma esses recursos, como cadeia de suprimentos, equilíbrio entre máquina e produto e força de trabalho.&nbsp;Técnicas que vão desde modelos de regressão linear, ARIMA, lagging, até modelos mais complicados, como LSTM, são usados hoje para otimizar os recursos.

Leia mais no blog: Como Data Science pode impulsionar vendas

Existem vários desafios para a aplicação da ciência de dados na manufatura.&nbsp;Listamos abaixo alguns dos mais comuns:

Falta de experiência no assunto

A ciência de dados é um campo muito novo. Cada aplicação requer seu próprio conjunto básico de habilidades. Da mesma forma, na manufatura, conhecer as terminologias de manufatura e processo, regras e regulamentos, entendimento do negócio, componentes da cadeia de suprimentos e engenharia industrial é vital. A falta de experiência pode levar à resolução do conjunto errado de problemas, culminando em projetos fracassados e à perda de confiança da organização nos dados.

                  
            

Ilustração mostrando a atuação do cientista de dados na indústria de manufatura

Reinventando a roda

Cada problema em um ambiente de manufatura é novo e as partes interessadas são diferentes.&nbsp;A implantação de uma solução padrão é arriscada e, o que é mais importante, em algum ponto, está fadada ao fracasso.&nbsp;Cada novo problema tem uma parte da solução que está prontamente disponível e o restante precisa ser planejado.&nbsp;A engenharia envolve o desenvolvimento de novos fluxos de trabalho de modelos de machine learning para os casos mais simples e o desenvolvimento de um novo sensor ou hardware nos casos mais complexos.&nbsp;

O fato é que a aplicação da ciência de dados na manufatura também é muito nova ainda. Ela é uma das muitas ferramentas que as indústrias de manufatura estão usando atualmente para atingir seus objetivos de produtividade.

Novos aplicativos são descobertos todos os dias e várias soluções são inventadas constantemente.&nbsp;Em muitos projetos de manufatura (investimentos de capital), o ROI é realizado ao longo dos anos (5–7 anos), mas há projetos de ciência de dados implantados com sucesso com seu ROI em menos de um ano.&nbsp;Isso os torna muito apreciáveis.&nbsp;

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Os gêmeos digitais

                  
            

Uma das inovações mais sexys que os dados trazem à indústria de manufatura são os chamados Gêmeos Digitais, ou Digital Twins. É um processo de transformação digital de plantas fabris que simula virtualmente as condições reais da fábrica com o objetivo de extrair informações e insights que permitam uma visão em tempo real da evolução do item “copiado”.

Na prática, um&nbsp;gêmeo digital&nbsp;é uma grande coleção de dados que representam um objeto físico que, quando analisado, pode ajudar a melhorar processos e respaldar tomadas de decisões pela gestão.

Segundo uma&nbsp;previsão da ADS Reports&nbsp;– empresa de pesquisas da Holanda – o mercado global desta tecnologia, avaliado em 2020 em US$ 3,1 bilhões, deve atingir US$ 48,2 bilhões até 2026, com uma taxa de crescimento anual de 58% no período.

No Brasil, quem faz uso dessa tecnologia é a Petrobrás. A empresa criou, em parceria com a petrolífera espanhola Repsol, um gêmeo digital da plataforma P-50, que opera na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Com sensores instalados na plataforma a empresa coleta dados de forma ininterrupta para alimentar o gêmeo digital que ainda recebe informações históricas e de outras fontes. Todo esse volume de conteúdo permite que a Petrobras entenda em tempo real o que acontece com a P-50 e possa se antecipar para evitar qualquer eventual problema na operação.

Segundo a estatal, o uso de digital twins em plataformas pode trazer ganhos de US$ 20 milhões por ano. A indústria do petróleo prevê que a tecnologia proporcione nas próximas décadas um faturamento de US$ 1,6 trilhão e 4% no fator de recuperação de um campo.

Além da Petrobras, a Vale também utiliza os Gêmeos Digitais. A mineradora combina a tecnologia com inteligência artificial para a prevenção e controle de corrosão nas estruturas metálicas de suas plantas industriais.

O uso da tecnologia, que combina computação avançada, inteligência artificial, machine learning, big data e realidade aumentada, também ultrapassa a indústria. Pesquisadores já estão criando gêmeos digitais de órgãos humanos, a partir de exames de imagem de pacientes. A pessoa pode, por exemplo, ter uma representação digital do seu coração, de forma que a simulação, ao ser acelerada pelos médicos possa mostrar potenciais doenças, ou mesmo antecipar problemas e avaliar efeitos de tratamentos, dietas ou exercícios.

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