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title: A leitura do cérebro é o próximo passo das pesquisas de mercado
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author: ilumeo-admin
published: 2019-09-02T09:52:03Z
modified: 2023-07-28T02:59:47Z
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# A leitura do cérebro é o próximo passo das pesquisas de mercado

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Grandes empresas de tecnologia estão investindo em ferramentas de neurociência para obter respostas sobre comportamento do consumidor. O assunto gera polêmicas a respeito dos riscos para privacidade, mas apresenta interessantes potenciais para pesquisa de mercado.

Ganhou notoriedade da mídia, recentemente, um estudo financiado pelo Facebook com o objetivo de desenvolver um dispositivo capaz de ler a mente humana. Mais especificamente, pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco estão desenvolvendo “decodificadores de fala” que conseguem adivinhar o que as pessoas querem dizer a partir de seus sinais cerebrais.

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O Facebook afirma que o objetivo do financiamento é criar um equipamento que permita ao usuário – inclusive pessoas com dificuldades de fala ou motoras – controlar a música ou interagir na realidade virtual a partir de comandos enviados pelo cérebro.

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O projeto causa polêmica, pois existe debate a respeito dos riscos de privacidade em relação a maneira como dados cerebrais são coletados, armazenados e utilizados. No entanto, o Facebook não é a única grande empresa de tecnologia debruçada sobre as possibilidades de leitura da mente.

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O portal de notícias Axios traçou um panorama sobre o cenário das empresas de pesquisa de mercado que submetem indivíduos a exames cerebrais com o intuito de investigar os mecanismos que desencadeiam conexões emocionais e afetam o comportamento.

A partir de ferramentas da neurociência, as empresas buscam explorar a mente das pessoas com o objetivo de exercer uma influência mais forte sobre suas decisões.

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Segundo o Axios, no momento há cerca de duas dúzias de empresas de pesquisa de mercado que buscam a leitura do cérebro como um caminho para atrair a atenção dos anunciantes. A ideia é direcionar os usuários a fazer ou comprar algo de maneira mais eficaz.

                  
            

Como funciona

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Testes cerebrais como Eletroencefalografia (EEG) permitem com que os pesquisadores vejam como o cérebro das pessoas reage, segundo a segundo, à experiências como assistir a um anúncio de TV, rolar um aplicativo ou abrir uma garrafa de refrigerante.

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Os eletrodos monitoram a atividade dos neurônios em várias partes do cérebro, câmeras observam movimentos dos olhos e microexpressões, e sensores da pele percebem mudanças na freqüência cardíaca e no esforço mental.

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Assim, os pesquisadores procuram sinais de ligação emocional, ativação de memória e atenção ativa –, analisam como esses sinais variam ao longo de uma experiência e se mudam quando um consumidor interage com um anúncio ou produto.

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&#8220;É a combinação de emoção e memória que é realmente poderosa para indicar se essa experiência terá um impacto no comportamento futuro – o que, no fim das contas, é o que mais interessa&#8221;, diz Bradley Vines, diretor de neurociência da Nielsen, uma das empresas que conduzem esse tipo de pesquisa de mercado.

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Antecedentes

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Essa técnica demorou um pouco para se firmar no mundo do marketing. Somente nos últimos 50 anos, depois que a Nielsen comprou uma empresa chamada NeuroFocus, a neurociência do consumidor avançou em direção ao mainstream, diz Ming Hsu, professor de marketing da Universidade da Califórnia em Berkeley.

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A eficácia desse tipo de tecnologia é debatida desde que ela existe. Em geral, a controvérsia gira em torno das suposições sobre as quais as análises são construídas, mas, recentemente, a aceitação tem sido mais ampla.

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Alguns clientes da Nielsen nesse tipo de abordagem são Time Warner e New Balance. Há start-ups que estão adotando métodos avançados de teste, como a Spark Neuro, e o mencionado Facebook tem um time de neurocientistas que trabalha em um centro de “ciência de marketing”.

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O professor Ming Hsu afirma que as táticas de influência dos anunciantes são ainda opacas. Porém, ele acredita que testes podem revelar os efeitos dessas técnicas e regulamentá-las. Ele diz: “Se podemos medir, podemos regulamentar, tal como acontece com carbono ou poluição”.

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Embora os riscos de privacidade devam ser inevitavelmente regulamentados, a utilização de ferramentas como o EEG apresenta um dos interessantes caminhos que a tecnologia apresenta para a pesquisa de mercado.
